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O edifício da igreja e do que resta das instalações conventuais encontra-se rodeado de um belo espaço agrário onde se pratica uma agricultura de montanha baseada na produção de centeio e batata
complementada por hortícolas e frutas em pequenos campos murados a pedra seca. Velhos carvalhos ladeiam a alameda da entrada e a zona fronteira à igreja.
A primeira referência documental sobre o mosteiro de Fiães data de 1130 e segundo Maur Cocheril, em 1194 a comunidade monástica adoptou a regra Cisterciense ficando adstrita a S. João de Tarouca cuja abadia havia sido fundada em 1142.
O templo teria começado a construir-se na primeira metade do séc. XIII e como a igreja do Convento de Paderne a sua arquitectura e elementos decorativos deno-tam a existência de uma edificação faseada no tempo. O Arq. L. F. de Magalhães Pinto isolou duas campanhas: uma primeira durante a qual foram erguidas as três absides e na segunda campanha, decorrida durante o terceiro quartel do séc. XII, as obras ocuparam-se do corpo da igreja. No séc. XVII e após um longo período de depressão a comunidade ficou a pertencer a Santa Maria de Alcobaça e recebeu um novo impulso. Esta recuperação traduziu-se em novos edifícios na área conventual e em alterações na igreja cujas naves foram reformuladas havendo-se também alterado a primitiva fachada com a abertura de vãos e dos nichos. No séc. XVIII foi levantada a torre sineira.
Da construção cisterciense subsiste a planta desenvolvida em três naves e quatro tramos com cabeceira constituída por capela-mor e duas capelas laterais sendo as respectivas coberturas em abóbada de arco quebrado, 'novidade trazida de Cluny' (L.F. Magalhães Pinto). No corpo da igreja, as naves são divididas por arcos de volta inteira e cobertas a duas águas interiormente revestidas por madeira.
A fachada virada a poente, reforçada por robustos contrafortes, subdivide-se em três panos estando o central ocupado inferiormente pelo portal de quatro arquivoltas assentes em impostas corridas e pés direitos sem qualquer ornamento revelando assim a simplicidade própria das regras beneditinas. Nos
modilhões que decoram as cornijas das fachadas laterais está patente a mesma fidelidade aos princípios estéticos em vigor na comunidade de Cister nos seus primeiros tempos. No séc. XVII tudo mudou e disso é prova a imponente pedra de armas da Congregação que coroa a empena.
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