Monção

A Coca

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O imaginário popular da Ribeira Minho está povoado de histórias fantásticas, lendas e superstições.
Monstros e animais apocalípticos atemorizam os camponeses desde tempos imemoriais. O rio Minho era habitado por 'génios aquáticos' (Bouza Brei) e 'nos tempos antigos cruzar um rio ou colocar sobre ele uma ponte era um grande sacrilégio' (Idem). Uma crença vigente em Peso (Melgaço) recomendava a quem quisesse atravessar o rio Minho para Arbo levasse na boca um pequeno seixo que a impedisse de falar, pois de contrário as bruxas metiam-se com ela (Idem).

A 'Coca' faz parte deste mundo sobrenatural e as suas origens entrecruzam-se com mitologias greco-romanas posteriormente cristianizadas. Quem a combate hoje é S. Jorge, substituindo o Apolo ou Perseo dos antigos. A Igreja via no terrível dragão a reincarnação do Mal, do Diabo. O cavaleiro que a submete personificava o Bem.

Este singular combate, que ocorre durante as Festas do Corpo de Deus em Monção, suscita a formação de partidários entre os assistentes e, não raras vezes, os que apoiam a 'Coca' são em maior número. E nem sempre S. Jorge vence, por falta de destreza em meter a lança na goela da 'bixa' ou por culpa do cavalo…oca


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