Ponte da Barca
Igreja do Mosteiro de Bravães
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A igreja de Bravães surpreende pelas
suas equilibradas proporções e sobretudo pela escultura dos seus
portais. Com nave e ábside desenhando planta rectangular
apresenta na fachada poente o portal axial cavado num maciço em
silharia de forma quadrangular e saliente do restante paramento
como que a contrafortá-lo. O remate é por empena tendo no vértice
um ornato vasado. (Anteriormente ao restauro feito pela D.G.E.M.N. por
volta dos anos 30 do séc. XX a fachada terminava com um campanário
de duas sineiras). Nas fachadas laterais da nave e ábside a cornija
assenta em fiada de modilhões e na parede sobre o arco de triunfo
encontra-se uma rosácea.
O portal axial é formado por cinco arquivoltas que assentam em imposta corrida sustentada por quatro pares simétricos de colunas. Reveste-o um universo de motivos decorativos e de imagens esculpidas sobre cuja identificação tem havido várias interpretações. Assim, as figuras antropomorfas existentes nas colunas representam ‘os fundadores do mosteiro’ (Figueiredo Guerra), ou ‘N.ª S.ª da Anunciação e o Anjo Gabriel’(M. Aguiar Barreiros). Quanto às do tímpano, seria o ‘Salvador’ a que se encontra dentro de uma mandorla segura por ‘dois anjos’ (M. Aguiar Barreiros) ou ‘Cristo na Glória do Céu’ e os dois personagens ao lado ‘ embora não mostrem asas, pela sua função e contexto, só podem representar anjos’ (C.A. Ferreira de Almeida). Já para Jorge Rodrigues, a figura central seria o ‘Cristo Pantocrator do Juízo Final’ e as duas personagens que acolitam o Cristo mais parecem camponeses que anjos’. Relativamente às representações tiradas do mundo vegetal e natural são poucas as explicações dos seus significados. As serpentes enroscadas nos fustes das colunas ‘fazem lembrar a Árvore da Vida e a Tentação de Adão e Eva’ (C.A.Ferreira de Almeida), ou são ‘símbolos da volúpia dos vícios’ na opinião de Lourenço Alves que considera ainda os macacos ‘conotados com a astúcia revelada pelo demónio’. |