Ponte de Lima

Labruja - Santuário do Senhor do Socorro

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A devoção popular ao Senhor do Socorro tem por fundamento uma cura de ferimentos nas pernas de um lavrador logo que este recebeu em casa uma velha imagem de um Senhor muito da sua devoção e que estava para ser queimada conjuntamente com outras da antiga igreja. Quando lhe perguntavam que remédio tinha aplicado, o lavrador respondia apontando a imagem : ‘Este é o meu Socorro…’ Outras pessoas passaram a invocar o Senhor do Socorro para a cura dos seus males e algumas viram o seu apelo atendido. Como a fama milagreira da imagem do Senhor aumentou a frequência da sua casa, o lavrador resolveu transferi-la para uma pequena capela dedicada ao Papa S. Gregório. O culto ao Senhor do Socorro cresceu, fundou-se uma Confraria  e com as esmolas e dádivas recebidas construiu-se o Santuário. A data da sua fundação - 1773 - encontra-se gravada no arco da entrada da igreja. Desconhece-se o autor do risco.

O Santuário do Senhor do Socorro situa-se na encosta de um monte sobranceiro ao vale do ribeiro de S. João da Grova e é rodeado de frondoso espaço com árvores de grande porte, sobretudo carvalhos, dispondo ainda  de  mesas em pedra, coretos, fornos e várias fontes. A anteceder o adro da igreja foi construído um muro com estatuária barroca e ampla escadaria de um só lanço com parapeitos de balaústres iniciados por anjos a tocar trombetas. Em 1854 foi gizado um plano de escadório que se inspiraria no do Bom Jesus do Monte em Braga mas que não chegou a ser concretizado. O Santuário é, hoje, constituído pela Igreja, os ‘quartéis’ e a Casa da Mesa da Irmandade.

A igreja apresenta planta com nave rectangular coberta a duas águas e capela-mor circular sendo as   paredes exteriores onduladas e cobertas a quatro águas coroadas no cume por lanternim.  A frontaria é composta por corpo central ladeado de duas torres com cúpulas bolbosas. A  estes elementos estruturais foi aplicada uma decoração esculpida em ‘rocaille’ de grande simplicidade mas de singular efeito estético. 

Assim, sobre o arco em aro de cesto da entrada abre-se janelão de sacada com as ombreiras pilastradas e ornadas de palmas. A padeeira curva insere a meio um ornato vegetalista do qual partem ‘asas de morcego’. Os nichos laterais alojando imagens sacras (S.Pedro e S. Gregório Magno) são encimados por cornijas relevadas. 

Esta parte central da frontaria é rematada por frontão ondulado marginado de urnas com fogaréus e interrompido para alojar escudo com as armas reais sobre o qual e no vértice em arco de carena se ergue cruz. Uma balaustrada encerra superiormente o conjunto prolongando-se lateralmente de modo a abranger as torres pelo segundo registo, onde se destaca relógio barroco emoldurado com ornatos vegetalistas e no cunhal do lado poente insere-se relógio de sol vertical de duplo quadrante. O campanário com quatro ventanas é superiormente delimitado por balaustrada com fogaréus nos seus quatro ângulos. Um catavento com grimpa e galo remate a  cúpula, bolbosa  de quatro faces. 

Na fachada poente e sustentado por altas colunas encontra-se o Senhor do Socorro em nicho envidraçado. Já não é a imagem que está na origem da devoção pois essa desapareceu.             


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