Valença
Praça forte
| Praça Forte de Valença A Praça Forte de Valença é constituída por dois polígonos irregulares, separados, com 10 baluartes angulares e dois meios baluartes com acesso por quatro portas defendidas por revelins. A envolver todo o conjunto e num plano inferior existe um segundo recinto ou 'falsa-braga'' com parapeito e adarve destinado a defender o fosso e a 'cobrir' o caminho por onde circulavam os defensores ('caminho coberto'). Os baluartes, com cunhais encimados de guaritas, apresentam-se superiormente rasgados por canhoneiras onde eram dispostas as peças de fogo. Em 1797 Valença possuía 54 peças sendo 30 de bronze e 24 de ferro de diversos calibres e segundo uma 'Memória' do Eng.ª Carlos Mardel daquela data seriam ainda necessárias mais 40 peças para guarnecer a praça e 24 para os redutos e baterias exteriores. Deste poderoso arsenal restam apenas 4 peças no Baluarte do Carmo. O polígono da 'Obra Coroa' tem 1200m de perímetro e nele foram construídos quartéis e um paiol no Campo de Marte. O edifício é uma construção setecentista de grossas paredes sem janelas e com acesso por uma porta maginada por pilastras tendo no fecho do arco um brasão do Governador de Armas do Minho, D. João Diogo de Ataíde. No Campo de Marte realizavam-se as paradas e exercícios militares. As comunicações desta zona da fortaleza com o exterior eram permitidas, na direcção sul, através das Portas da Coroada e das Portas do Revelim da Coroada. Ambas apresentam arco pleno em cujo fecho se encontra um brasão do Governador da Praça. Eram franqueadas através de pontes levadiças. São diferentes no que se refere ao enquadramento da pedra de armas nacionais: frontão de enrolamentos e pináculos na primeira daquelas portas e simples volutas na segunda. A Porta da Coroada tem duplas pilastras com almofadas, enquanto que as do Revelim são simples e lisas. O polígono da praça ou 'Obra Magistral' com 1600m de perímetro encerra o que subsiste da Vila medieval com os acrescentos resultantes da expansão urbanística dos séc.s XVI, XVII e XVIII. Sob o ponto de vista da arquitectura militar e para além dos vestígios da fortificação medieval, dos baluartes e revelins, há a considerar com interesse as 'poternas' que permitiam a saída camuflada para o exterior, a 'Casa do Governador' onde existiu uma 'Aula de Artilharia' hoje Repartição de Finanças) e o 'Paiol dos Açougues' (actualmente servindo de Núcleo Museológico). Acrescente-se ainda a 'Fonte da Vila' acessível por um caminho (ou 'poterna') que passa por debaixo dos baluartes de S. João e da Lapa. Era, das quatro fontes existentes no séc. XVIII, a mais próxima do agregado revelando-se vital para o abastecimento de água da população e por esse motivo este sítio estratégico era defendido pelos dois baluartes e ainda por um revelim. Apresenta espaldar encimado por uma pedra de armas reais e bebedouro para animais e a água saindo das bicas é conduzida a um lavadouro resguardado por altos muros. Torre de S. Julião de Silva José Matoso refere que a torre de S. Julião da Silva deveria ser o solar da família a que pertenceria Paio Guterres da Silva, nome constante num documento de 1129 ou 1130 e que em 1134 aparece como Paio Guterres de Froião na carta de couto concedida por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Sanfins de Friestas. O senhor do castelo de Fraião teria assim a sua quintã de Silva e que em documento de 1290 assinado por D. Dinis é referida como tendo pertencido a D. Paio Gomes da Silva. Em 29 de Setembro de 1358 foi doada por D. Pedro I a Aires Gomes da Silva, seu vassalo e aio de D. Fernando. Um descendente deste também chamado de Aires Gomes da Silva, por ter tomado o partido de D. Pedro na batalha de Alfarro-beira, foi em 23 de Setembro de 1450 desapossado por D. Afonso V de todos os seus bens tendo a quin-ta sido doada a Diogo da Silva, fidalgo da Casa Real. Dois dias depois, D. Leonel de Lima, Visconde de Vila Nova de Cerveira e alcaide de Ponte de Lima compra a propriedade por 40$000 reis. Em 4 de Abril do ano seguinte é exibida perante tabelião a carta da compra e feita a tomada de posse da quinta por um aio e um escudeiro de D. Leonel de Lima, os quais 'entrarom dentro em ella e foram acima da Torre della e se sairom fora e as tornarom a fechar'´. É esta, de resto, a primeira vez que a torre é referida em documentos. Torre de planta quadrada com paredes em granito de aparelho pseudo-isódomo subdividida em três pisos e coroada por merlões prismáticos muito espaçados na linha das ameias. Uma cornija côncava com gárgulas em forma de canhão em cada cunhal cinta superiormente os quatro panos. Na fachada principal, que ostenta pedra de armas, abrem-se vãos preenchidos por janela de guilhotina no 2.º e 3.º piso e porta no 1.º piso. Sítio de Gondelim A aldeia situa-se na meia encosta revestida por extenso coberto arbóreo de folha caduca (principalmente carvalho e castanheiro) interrompido por socalcos de banda larga onde se cultiva batata, milho e algum centeio. Árvores de fruta pontilham este espaço agrário moldado pelo trabalho humano de muitas gerações num sábio aproveitamento das condições naturais ao optar-se por uma lavoura em faixas seguindo as curvas de nível. A integração no meio natural é perfeita com o uso de práticas tradicionais no amanho das terras aliadas ao emprego de fertilizantes naturais.
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