Viana do Castelo
Festa das Rosas
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As Festas da S.ª do Rosário
(ou Festa das Rosas) em Vila Franca do Lima realizam-se na primeira
quinzena de Maio. Do seu programa destaca-se o Cortejo dos Cestos
Floridos das Mordomas. A origem remonta a 1622 ano em que
foi fundada a Confraria da Senhora do Rosário que nos seus Estatutos
instituiu a obrigação de as mordomas oferecerem flores à Senhora do
Rosário. Mais tarde a oferta passou a ser feita em ‘cestos
armados’ e para a colheita das melhores flores havia quem as fosse
roubar de noite não escapando mesmo as dos cemitérios, sobretudo as
rosas e cravinas brancas com que se formava a última rodada do cesto
florido. A feitura do cesto envolve um
trabalho colectivo no campo com a recolha de flores e no interior de
garagens ou outras dependências das casas onde o número de pessoas
varia entre 10 a 20 havendo o grupo de mulheres encarregada de
alfinetarem os botões e pétalas de flores (e também os dedos…) e
o grupo dos homens ‘bordadores’. Trabalho voluntário sem qualquer
remuneração ficando as despesas de alimentação e bebidas, dos
materiais e transportes a cargo do pai da mordoma.
Tudo começa por um pequeno
cesto em vime é colocado sobre uma mesa baixa à qual é
fixo por cordas, arames ou fios de nylon. Dentro e amparada por
palha está uma peanha de madeira com uma haste metálica (o
‘prumo’) que irá servir de referência para o cálculo do diâmetro
do cesto. O bordador começa por colocar na base um friso verde
em buxo e depois vai enchendo a ‘almofada’ do bojo com sucessivas
camadas horizontais de ‘ceruda’ que se vão calcando. A meio, para
diminuir o peso do cesto, leva uma camada de palha e depois
acrescenta-se mais ‘molhadas’ de ceruda que são comprimidas por
uma roda de ‘platex’ presa à haste por prego. Enche-se mais 15cm
com ceruda e prensa-se com outra roda fixa a uns grampos de ferro.
Depois ‘faz-se a barba’ ao cesto alisando com uma lâmina todo o
revestimento exterior em ceruda, Forra-se a ‘almofada’ em redor
agrafando folha de milho passada a ferro e colada em papel vegetal.
Colocam-se remates em rodas de buxo e com junco fazem-se as molduras
dos ‘quadros’ reproduzindo imagens através da fixação com
alfinetes de pétalas, botões de flores e outros vegetais. Os
temas privilegiam os monumentos do Alto Minho, particularmente os de
Viana do Castelo (Senhora da Agonia, Santa Luzia, Capela das
Malheiras, a Praça da República, etc). Recentemente, assiste-se a
uma procura de diversificação nos assuntos tratados. Usam-se flores e plantas que melhor
efeito proporcionam e nesta adaptação reside a grande criatividade
do ‘bordador’: as folhas vermelhas de eucalipto, ou casca de
laranja seca para os telhados, as cantarias e os paralelepípedos
das ruas são botões de silva, as paredes brancas são feitas com
‘carola’ de milho, as folhas de oliveira invertidas e vagens de
giesta ’fazem parecer’ água. Há cestos com vários desenhos
bordados em redor e outros apenas apresentam uma imagem tendo na face
oposta o nome da mordoma e a data. Em alguns cestos ‘borda-se’
também a fotografia da mordoma quase sempre só com botões e bagas.
Terminado o ‘bordado’ do desenho
colocam-se cercaduras em círculos, losangos, etc. com pétalas de
flores a contrastar com a tonalidade geral. Usam-se decorações com
‘videiras e cachos de uvas em que os bagos são pequenas bolas
recortadas em folhas de eucalipto vermelhas. Finalmente faz-se o
remate coroando o cesto com um arranjo floral onde predominam os
cravos ou rosas envolvidas por tufos de vivaz que são ‘tramados’
por fio dourado ( ‘a terena’). Depois de pronto, o cesto pesa cerca de 60 kgs.,( dos quais 4 a 5 kgs são de alfinetes) e no cortejo é transportado à cabeça pela mordoma e duas ajudantes que se revezam, todas vestidas com traje regional. São vários os grupos de três moças com o seu cesto acompanhadas de andores e banda de música a fechar. No regresso à igreja os cestos são depositados aos pés da S.ª do Rosário. As muitas horas de canseiras na recolha das melhores flores, os dedos picados, os prodígios dos bordadores, os esforços no transporte durante o cortejo transformam-se em ‘cestos votivos’. |